Morte de Gaitán e início do pesadelo colombiano completam 70 anos

O líder popular Jorge Eliecér Gaitán, morto Há 70 anos (Foto Arquivo)

Nesta segunda-feira (9), completam-se 70 anos do início do Bogotazo, onda de violência que destruiu parte de Bogotá após o assassinato brutal do líder liberal Jorge Eliecér Gaitán, em 9 de abril de 1948. Tido como provável próximo presidente da Colômbia e popular entre os trabalhadores, Gaitán foi assassinado à queima-roupa, com três tiros, em plena hora do almoço, quando saía de seu escritório, na Carrera Séptima, principal via da capital colombiana.

A revolta da população foi tal que destruíram-se casas, comércio e veículos. O assassino, de quem não se pôde recolher nenhuma informação sobre sua motivação, pois foi morto logo depois pela turba, teve seu corpo arrastado pelas ruas. Em seu livro autobiográfico (“Vivir para Contarla”), Gabriel García Márquez relata como foi a explosão, na qual a pensão em que vivia foi destruída. O período de enfrentamentos entre os dois grupos (conservadores e liberais) continuaria por dez anos, e esse período ficaria conhecido como La Violencia.

Trata-se de um momento-chave na história da Colômbia. Não apenas porque virou referência constante para Gabo quando interpretava seu país, mas, mais importante, deixou a semente do que seria uma divisão violenta da sociedade, dando origem depois às guerrilhas e servindo também como elemento do pano de fundo da guerra entre cartéis no narcotráfico. A morte de Gaitán se relaciona a tudo isso e muito mais. Entender a Colômbia, e mesmo entender Bogotá, que era praticamente outra antes da destruição causada pela Violência, passa por entender esse episódio.

Todos os anos se lançam homenagens, livros, ou uma mostra de fotos, como é o caso deste, que traz imagens inéditas daquele dia. Pouca literatura investigativa, porém, foi produzida, pelo menos para que se conheça mais detalhes sobre os bastidores de sua morte e sua relação com a violência desatada e que mudou a história do país. Quem sabe nesses detalhes esteja a resposta para o tormento da violência da qual custa tanto para que a Colômbia finalmente viva em paz. Que a data seja lembrada a cada ano e sirva de reflexão, porém, já é uma boa notícia.