Jorge Volpi ganha prêmio com obra que denuncia Justiça mexicana

O escritor mexicano Jorge Volpi (Divulgação)

Quando surgiu no meio literário, o escritor mexicano Jorge Volpi, 49, parecia apenas mais um escritor da geração que queria “romper com o realismo mágico latino-americano”. Ele e seus amigos criaram um movimento com esse objetivo, chamado Geração Crack. Com o tempo, porém, cada um seguiu um caminho. Um dos mais brilhantes deles, Ignacio Padilla, tristemente, morreu num acidente automobilístico em 2016.

De todos, o que foi construindo uma carreira mais sólida foi Volpi, com quem já conversei em algumas ocasiões nas quais não apenas mostrou a seriedade com que trata sua obra como uma intenção legítima de dialogar com as diversas tradições literárias das quais se alimentou, além da mexicana. Volpi também é professor da Universidade de Princeton, nos EUA.

Nesta quarta-feira (31), Volpi ganhou o prestigiado prêmio Alfaguara, desta vez por um livro distinto aos que costuma escrever. Trata-se do “romance sem ficção” “Una Novela Criminal”, que traz embutida uma crítica à Justiça mexicana. Nele, conta um caso ocorrido em 2005 em que um casal, Israel Vallarta, mexicano, e Florence Cassez, francesa, foram vítimas de uma suposta montagem da polícia que os apresentou como sequestradores. O casal passou anos em prisão preventiva sem julgamento nem condenação em primeira instância. O caso causou um problema diplomático entre o México e a França, em que se enfrentaram os então presidentes Felipe Calderón e Nicolás Sarkozy.

 

O júri do prêmio foi presidido pelo filósofo e ensaísta espanhol Fernando Savater, e a definição da premiação foi: “o romance traz uma narração contundente na hora de mostrar as tramas do poder e as raízes mais profundas da corrupção, assim como os lentos mecanismos da Justiça. Este é um romance policial, mas também uma valente denúncia do custo social das políticas que declaram a guerra ao crime sem colocar freio às causas.”

 

 

 

 

 

O livro estará disponível no mercado editorial hispânico a partir de 15 de março.