A difícil luta do PRI para sobreviver no México

Por Sylvia Colombo
O presidente Enrique Peña Nieto, que foi governador do Edomex (Foto AP)

As eleições presidenciais no México ocorrem apenas em julho de 2018.

No próximo domingo, dia 4 de junho, porém, começa a principal batalha dessa disputa. Trata-se da eleição de governador do chamado Edomex, ou Estado do México, principal reduto eleitoral do país, com 11.3 milhões de eleitores e que há nada menos do que 88 anos vem sendo comandado pelo PRI (Partido Revolucionário Institucional). Esta agrupação, que havia governado o México por 70 anos, conheceu a derrota a nível nacional no ano 2000, com a eleição do conservador Vicente Fox (PAN). No Edomex, porém, esse terremoto não aconteceu, e o partido mais importante do país, surgido após a Revolução Mexicana, ainda reina quase que de forma incontestável por ali. Além da importância em número de votos, o Edomex é conhecido também como uma espécie de trampolim para a Presidência. É de onde veio, justamente, o atual presidente, Enrique Peña Nieto.

Essa hegemonia, porém, pode ter um fim neste próximo domingo, quando também pode começar a ser escrita, de forma imprevista, a história do pleito presidencial de 2018. Isso porque se esgrimam entre os primeiros colocados duas forças, que vão se mostrando como as que também devem disputar, no ano que vem, o posto de mandatário do país. Por um lado o PRI, cujo candidato ao governo do Edomex é Alfredo Del Mazo (primo de Peña Nieto), que lidera as pesquisas com pequena margem. Em segundo, está a candidata do Morena (Movimiento de Regeneración Nacional), Delfina Gómez Álvarez. Por fora correm os representantes do PAN (Partido da Ação Nacional) e do esquerdista PRD (Partido da Revolução Democrática).

Embora a mais recente pesquisa da Consulta Mitofsky dê Gómez Álvarez adiante e registre uma queda de Del Mazo, outras vêm apresentando o candidato do PRI um pouco mais à frente. Nenhuma delas, porém, dá vantagens maiores do que 1,5% para nenhum dos dois. Ou seja, será uma disputa apertada de qualquer maneira.

A novidade política do pleito é a consolidação do Morena, que surgiu como uma dissidência do PRD e que tem como líder um velho conhecido da política mexicana, o esquerdista Andrés Manuel López Obrador, 63.

Muitos pensavam que sua carreira política poderia ter se queimado para sempre quando, em 2006, o então candidato não aceitou os resultados da votação que deu a vitória a Felipe Calderón (PAN), e armou protestos de desobediência civil para exigir uma recontagem dos votos. Seis anos depois, López Obrador voltou a se apresentar, mas também foi derrotado, desta vez por Peña Nieto.

Porém, por seu estilo perseverante e, principalmente, por conta da ascensão de Donald Trump nos EUA, AMLO _como é conhecido_ ganhou uma sobrevida que pode por fim alça-lo ao desejado posto de presidente. Pelo menos é o que mostram as atuais pesquisas para as presidenciais de 2018. Seu estilo de populista de esquerda, confrontativo, é visto por muitos como uma alternativa ao submisso Peña Nieto, que, antes mesmo de Trump ter sido eleito com seu discurso anti-mexicano, já havia convidado o então candidato a visitar o país e tem mostrando um perfil até aqui resignado às exigências do vizinho do norte.

A sorte de López Obrador, portanto, também estará em jogo nesse 4 de junho. Se sua candidata, Delfina Gómez Álvarez, de fato vencer, suas chances aumentam de forma consistente.

Os argumentos do candidato priista giram em torno de manter o crescimento econômico de um dos departamentos mais ricos do país, o segundo que mais contribui para o PIB, depois do Distrito Federal (a Cidade do México). Pesam contra ele, porém, todos os fatores de desgaste de Peña Nieto no país: os escândalos de corrupção, o aumento do número de homicídios após ligeira melhora nos últimos tempos, a série de mortes de jornalistas e sua falta de combatividade para confrontar Trump.

A corrida eleitoral de 2018 já começou no México, e o primeiro capítulo será escrito no próximo domingo.