Para tratar da violência, é preciso escapar da apologia ao criminoso, Jorge Franco

Por Sylvia Colombo
O escritor colombiano Jorge Franco (Foto Semana)

Jorge Franco nasceu na mesma Medellín de Pablo Escobar (1949-1993), líder do Cartel que encheu de sangue sua cidade por mais de uma década. Nesta quinta-feira (18), em palestra em São Paulo, no Instituto Cervantes, o escritor falará da relação entre violência e literatura e da difícil linha divisória entre ter o tema como inspiração para a literatura ou fazer apologia do crime. “Para isso vou voltar no tempo, e fazer um histórico das relações entre a tradição da ficção na Colômbia e as guerras e explosões de violência de nosso passado”, contou à Folha o autor.

 

Eximir-se de tratar do tema, para ele, não é uma saída viável. Tanto que não é o que ocorre em seus principais trabalhos, como “Rosario Tijeras” (1999), a história de uma bela sicária, que até virou série de televisão, e “El Mundo de Afuera”, que ficcionaliza um crime famoso em sua cidade, e que ganhou o prêmio Alfaguara, em 2014.

“Levar esses assuntos para os livros e para a TV é humanizar e contextualizar o problema. Daí a transformar os narcotraficantes em heróis, em símbolos para a juventude, é um erro. Há que se equilibrar bem entre essas coisas. A Colômbia precisa tratar da violência nas artes para entender a si própria, mas não pode glamourizar a violência”, resume.

Para Franco, um filme que trata do assunto de forma exemplar é “A Queda” (2004), sobre as últimas horas de Hitler no bunker, antes de sua morte. “Aí vemos o personagem humanizado e um quadro do que foram aqueles tempos terríveis. Isso é um aporte ao que sabemos do nazismo, mas nem de perto é um elogio”, resume.

Quem tiver interesse em ouvi-lo em São Paulo, não deixe de comparecer. Será na sede do Instituto Cervantes (av. Paulista, 2.438), a partir das 19h.