Torre de Trump no centro de Buenos Aires cria saia-justa para Macri

Por Sylvia Colombo
O presidente argentino, Mauricio Macri, e o recém-eleito Donald Trump (Foto Arquivo)
O presidente argentino, Mauricio Macri, e o recém-eleito Donald Trump (Foto Arquivo)

Os meios argentinos estão em polvorosa desde que vazou um suposto conteúdo da conversa telefônica entre o presidente Mauricio Macri e o recém-eleito norte-americano, Donald Trump, com direito a uma breve intervenção de Ivanka Trump na conversa dos dois mandatários-empresários.

Segundo informação de bastidores revelada pelo jornalista Jorge Lanata em seu programa dominical, “Periodismo Para Todos”, os dois líderes não teriam falado apenas de política. Talvez até nem tenham falado nada sobre esse assunto. Trump teria aproveitado o telefonema de congratulações do colega argentino, a quem conhece há décadas, para pedir rapidez na liberação de uma obra sua próxima ao Obelisco de Buenos Aires. Trata-se de uma Trump Tower de 35 andares que a empresa do magnata tencionava começar a construir em 2020. Além desse empreendimento, Trump tem também uma obra de grande porte, com mais de 150 apartamentos, sendo construída num balneário uruguaio próximo à Punta del Este.

“Macri disse a Trump que a Argentina estava aberta a investimentos agora, e Trump respondeu que tinha US$ 150 milhões investidos na torre de Buenos Aires”. O empreendimento estaria travado na burocracia local, e Trump teria pedido celeridade ao antigo colega de negócios. A história teria sido vazada a Lanata e a outros jornalistas locais por um membro da equipe de Macri.

A história pegou fogo mesmo quando o jornal britânico “The Guardian” publicou uma matéria relatando o caso, acrescentando ainda mais bastidores, revelando que a filha do magnata também tinha entrado na conversa com o mandatário argentino.

Trump ainda não deixou claro como seus negócios serão tocados quando ele assumir a Presidência, e sugeriu que seus filhos estariam adiante das empresas. Porém, como os mesmos filhos estão na equipe de transição, a ideia de que o conflito de interesses pode virar regra ganhou força.

Desde então, a mídia norte-americana e de língua inglesa, então, vem replicando a história por todas as partes.

O curioso do episódio é que as equipes de comunicação tanto de Macri como de Trump saíram a negar o caso apressadamente. Mas não o próprio Trump, que, num tuíte revelador, insinuou que não pretende parar seus negócios quando assumir a Presidência, e ainda arremetendo contra os meios que publicaram a história. Seu tuíte não nega que tenha tratado da Trump Tower de Buenos Aires com Macri, quase que vai na direção totalmente contrária, dizendo o seguinte: “Antes da eleição era bastante conhecido que eu tenho interesse em propriedades em todas as partes do mundo. Apenas a mídia desonesta faz disso um grande escândalo”.