Série mexicana ironiza máfia do futebol na América Latina

Por Sylvia Colombo
Os atores Luís Gerardo Mendez e Daniel Gimenez Cacho, em "Club de Cuervos" (Foto Divulgação)
Os atores Luís Gerardo Mendez e Daniel Gimenez Cacho, em “Club de Cuervos” (Foto Divulgação)

Muito se tem falado de “Narcos”, mas a primeira série em espanhol para a América Latina da Netflix, a mexicana “Club de Cuervos”, que estreou em 7 de agosto, trata de um tema ainda mais popular e comum a vários países no continente do que as drogas: o futebol.

Essa divertida comédia, em 13 capítulos, aborda com ironia assuntos seríssimos: a máfia dos cartolas e dos representantes dos jogadores, as relações promíscuas entre imprensa esportiva e poderosos locais e a corrupção de governantes envolvidos com grandes clubes.

Tudo se passa numa cidade imaginária do México, Nuevo Toledo, que apesar de fictícia tem todos os elementos típicos do interior desse país. Famílias poderosas que vivem em propriedades com piscina e luxos e cujos filhos disputam em festas mulheres e drogas, fãs apaixonados que se reúnem em bares para ver os jogos e crianças que sonham com o sucesso na TV e dentro de campo. Ali, o também fictício clube Cuervos de Nuevo Toledo reúne em seu plantel jogadores argentinos, brasileiros e mexicanos no sonho de algum dia ganhar uma inédita liga para encher as paredes brancas de sua sala de troféus. Os Cuervos disputam campeonato contra clubes que existem de verdade, como o Pachuca e os Chivas de Guadalajara _vale destacar que as cenas de jogos são muito bem filmadas.

A ação começa quando o dono dos Cuervos morre subitamente, de um ataque cardíaco. À revelia da irmã mais velha, Isabel (Mariana Treviño), que cresceu num México que está mudando e no qual as mulheres naturalmente querem ser mais atuantes do que no passado, o filho caçula, Chava (Luis Gerardo Méndez), assume a presidência do clube. Playboy mais preocupado com seus “followers” nas redes sociais do que com as tradições do time, resolve ousar para transformar os Cuervos no “Real Madrid da América Latina”. Briga com o técnico e com o diretor de futebol do clube, vivido pelo espetacular Daniel Giménez Cacho, e gasta o que o clube não tem para trazer uma estrela do futebol internacional: Aitor Cardoné, um super-sexy ex-jogador do Barcelona que está perto de completar 30 anos e já não pode almejar estar num dos grandes clubes.

A chegada de Cardoné causa furor na imprensa internacional e “coloca Nuevo Toledo no mapa”, como ansiava Chava. Mas provoca também reviravolta no povoado parado no tempo e nos costumes do velho México. Temperamento extravagante, o craque bissexual causa escândalo no meio machista do futebol local. Enquanto isso, a impulsividade de Chava vai esbarrando nas amarras do jogo político da máfia do futebol, enquanto Isabel constrói a armadilha para eliminar o irmão.

Apesar de muito mexicana, Club de Cuervos mostra que o futebol é um tema comum a vários países da região, e não só pelo brilhantismo dos craques ou o espetáculo do jogo, mas também porque as máfias que o administram parecem ser parecidas em todas as partes.