“Fúria, dor, traição e necessidade de catarse são universais”, diz noivo de “Relatos Selvagens”

Por Sylvia Colombo
A atriz Erika Rivas, em cena de "Relatos Selvagens" (Foto: Divulgação)
A atriz Erika Rivas, em cena de “Relatos Selvagens” (Foto: Divulgação)

Indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, em nomeação que foi divulgada na semana passada, o filme “Relatos Selvagens” já é a produção mais vista na história do cinema argentino. O anterior recorde pertencia a “O Segredo de Seus Olhos”, também estrelada por Ricardo Darín. Enquanto “Segredo” teve 2,5 milhões de espectadores, “Relatos” já ultrapassou a marca dos 3,5. No Brasil, segue enchendo auditórios, na Espanha, co-produtora da obra, já foi vista por um milhão de pessoas.

“É um filme muito argentino em relação aos códigos, mas muito universal em sua linguagem. Todos sentem dor, fúria, traição e necessidade de catarse, é algo humano que está em todas as sociedades. Claro que as situações são melhor percebidas por quem vive aqui na Argentina, mas apenas nos detalhes. O sentimento que as une é facilmente entendido por qualquer pessoa, em qualquer lugar do mundo”, disse, em entrevista à Folha, em Buenos Aires, o ator Diego Gentile, 38, o noivo do último “relato”.

Atuando em obra com outros atores mais estrelados até aqui do que ele (Darín, Óscar Martínez, Leonardo Sbaraglia e Dario Grandinetti), Gentile comentou o fato de seu personagem ser o único capaz de um gesto de perdão, no último episódio, “Hasta que la Muerte nos Separe”. “O filme é sobre vingança e revolta, explosões de fúria, mas creio que o meu personagem, e também o da noiva, são os que fazem um giro mais completo, e oferecem ao espectador, depois que tudo parece perdido, a possibilidade de reatar os sentimentos, de se redimir.”

Com presença destacada na televisão e no teatro locais, esse é o primeiro papel grande de Gentile no cinema. “Acho que a produção argentina vive nova fase, depois dos anos de imensa divulgação de uma geração muito talentosa. As pessoas já sabem que encontrarão um excelente roteiro, e uma história muito bem relatada. É possível que o cinema brasileiro, por exemplo, tenha uma produção mais rica, com mais recursos, as nossas são levantadas com mais dificuldade. Mas o argentino é muito verborrágico, tem ironia e sabe entreter ao contar algo. Isso está muito presente em ‘Relatos'”, conclui.

Sem muita esperança de ir à cerimônia _a película tem vários produtores, entre eles o espanhol Pedro Almodóvar, que devem acompanhar o diretor, Damian Szifron, e talvez um ou dois dos atores mais renomados do elenco_ Gentile diz que se contenta em trabalhar no boca-a-boca do filme. “Além disso, me divirto com as reações das pessoas, no geral são extremas, até quem não gosta e chega a nos insultar, mas a maioria gostou e ficou eletrizada, mexida, o filme tocou fundo em sentimentos muito viscerais das pessoas.”

Se vencer neste ano, “Relatos” será o terceiro filme argentino a ganhar o Oscar. O primeiro foi “A História Oficial”, de Luis Puenzo, nos anos 80. O segundo foi “O Segredo de Seus Olhos”. O país também já foi indicado em sete ocasiões. É bom lembrar que o Brasil não possui nenhuma estatueta e segue fora da disputa neste ano. Portanto, por enquanto, 2 x 0 para os hermanos, com chance de goleada.

Diego Gentile, com Rivas, na cena: "Hasta que la Muerte nos Separe" (Foto: Divulgação)
Diego Gentile, com Rivas, na cena: “Hasta que la Muerte nos Separe” (Foto: Divulgação)