Bogotá verde

Por Sylvia Colombo

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Reunidos em Medellín no último mês de abril, arquitetos e urbanistas avaliaram a qualidade de vida nas cidades latino-americanas com base à afirmativa da OMS (Organização Mundial de Saúde) de que, para uma vida saudável nas cidades, deve haver entre 10 e 15m2 de espaço público por pessoa.

No topo do ranking aparece Bogotá, com seus 8 milhões de habitantes a 2.600m do nível do mar. A capital colombiana possui 6,3m2, seguida por Buenos Aires, com 6, Cidade do México, com 5,2m2, e Lima, com 2,9m2. O bom resultado vem da herança dos governantes verdes que a cidade teve nos últimos 15 anos, e que construíram parques, alamedas e ciclovias.

Caminhar por Bogotá num domingo de manhã é uma experiência super-agradável. Gente andando de bicicleta, correndo, caminhando ou simplesmente sentada nos bancos e olhando para os Andes, ao norte da cidade. Se durante a semana o trânsito é caótico e deixa todo mundo nervoso, nos fins de semana as pessoas levam à risca a ideia de não sair de carro, usar o Transmilenio ou caminhar.

Na foto acima, vê-se a biblioteca Virgílio Barco. Ao redor do imponente edifício desenhado pelo arquiteto Rogelio Salmona (1929-2007), há um parque, com lagos e áreas de lazer, que lota nos fins de semana. A biblioteca, que é gratuita e parte da rede de bibliotecas de Bogotá, possui janelas gigantes, completamente diferente dos padrões das solenes bibliotecas tradicionais, que dão para a água e as áreas verdes.

Bogotá ainda tem muito por melhorar. Trânsito, segurança, mobilidade, transporte público são carentes e durante a semana podem irritar muito os bogotanos. Mas a preocupação verde parece já implementada na população e não são poucos os estudiosos e políticos estrangeiros que chegam todos os dias para conhecer a experiência colombiana. São Paulo, que nem figura entre os primeiros do ranking elaborado em Medellín, teria muito a aprender com essa irmã do norte.