Sylvia Colombo

Latinidades

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Sylvia Colombo acompanha o crescente intercâmbio cultural entre o Brasil e o resto da América Latina. No blog, traz novidades e tenta explicar o contexto político da região.

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Verborragia uruguaia

Por Sylvia Colombo

O insulto de José “Pepe” Mujica a Cristina Kirchner, que vazou hoje por acidente (Mujica não sabia que os microfones estavam ligad0s e disse, sobre Cristina: “essa velha é pior que o caolho”), fez com que os argentinos se lembrassem de uma tarde de 2002, quando o então presidente colorado uruguaio Jorge Batlle soltou o verbo contra o país vizinho sem saber que suas palavras estavam sendo transmitidas.

[youtube W2J2VsK2B5c]

“Os argentinos são um bando de ladrões”, disse Batlle, apontando para a corrupção e dizendo que o então presidente argentino, Eduardo Duhalde, “não sabia onde ia”. O episódio rendeu uma crise diplomática que levou Batlle a viajar a Buenos Aires, sentar-se lado a lado com um Duhalde que não sabia onde meter a cara, e pedir-lhe desculpas.

A Argentina incomodou-se muito com o comentário, pois, àquela altura, em 2002, havia declarado o default e perseguia desesperadamente uma calma política, depois de ter atravessado uma grave crise e tido cinco presidentes em uma só semana.

Antes de encontrar Duhalde, Batlle tentou escapar pela tangente. Chamou uma coletiva e disse que o que a agência Bloomberg, que divulgou as imagens, havia feito era ilegal: “tomaram a gravação de uma conversa particular”, disse. Não foi o suficiente para conter a tensão, e Batlle atravessou o Rio da Prata na manhã seguinte.

Até hoje o vídeo de Batlle é um hit no youtube, e é lembrado sempre que o assunto corrupção ganha espaço na mídia argentina. O mais curioso é que a reação do povo argentino, em parte, foi a de concordar com Batlle, e virar-se contra os políticos.

A mesma febre tomou os argentinos hoje, que colocaram a frase de Mujica sobre Cristina entre os “trending topics” do Twitter. Só que o atual presidente uruguaio não parece ser do tipo que se importe com o protocolo ou com a formalidade. É pouco provável que saia a pedir desculpas. Cristina, que vive a dor de cabeça das enchentes em Buenos Aires e La Plata, ganhou um novo problema. Além da indisposição com o Uruguai, terá de aguentar as piadas internas e o aproveitamento dos ditos de Mujica por parte dos anti-kirchneristas.

 


 

 

 

 

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