Sylvia Colombo

Latinidades

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Sylvia Colombo acompanha o crescente intercâmbio cultural entre o Brasil e o resto da América Latina. No blog, traz novidades e tenta explicar o contexto político da região.

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Outono no cinema

Por Sylvia Colombo

 

Abril talvez seja uma das melhores épocas para estar em Buenos Aires. O calorão do verão já passou, a luz do fim de tarde do outono torna a cidade ainda mais bela, e ainda não chegou aquele frio imobilizador do inverno.

 

O mais importante, porém, é que as coisas finalmente voltam a acontecer, as pessoas retornam de suas longas férias de verão, e a programação cultural finalmente esquenta outra vez. No fim do mês começa a Feira do Livro de Buenos Aires, da qual falarei num próximo post.

 

 

 

Hoje, é dia de comentar a 15a edição do Bafici (Buenos Aires Festival Internacional de Cine Independente), que começa já no dia 10 (vai até dia 21), trazendo mais de 400 filmes em um circuito amplo de cinemas da cidade. A programação foi anunciada nesta semana pela organização do evento e o ministro da cultura portenho, Hernán Lombardi.

 

O evento tem semelhanças com nossa Mostra Internacional de São Paulo, com a diferença de que a presença latino-americana é muito mais intensa. Acontece em vários endereços, principalmente do centro, com destaque para o Centro Cultural San Martín. Neste ano, o festival abandona o shopping Abasto para ganhar salas também no Village Recoleta, muito mais charmoso e melhor localizado.

 

Abre o festival o chileno “No”, de Pablo Larraín, com o mexicano Gael García Bernal como protagonista, uma das candidatas ao Oscar de melhor filme estrangeiro. O filme, já visto pelos paulistanos, conta a história do plebiscito que, no fim dos anos 80, ajudou a derrubar o regime do general Augusto Pinochet. A exibição será ao ar livre, no parque Centenário, grátis. Já o encerramento será com “Au Bout de Conte”, a mais recente produção da diretora, atriz e cantora francesa Agnés Jaoui, que estará em Buenos Aires.

 

A música tem tradicional lugar de destaque no Bafici, que sempre traz boas cinebiografias e documentários sobre artistas. O destaque deste ano será “Shut Up and Play the Hits”, sobre o concerto de despedida do grupo LCD Soundsystem.

 

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Já o cinema argentino é a estrela da festa. Haverá três produções na competição internacional, “Leones” (Jazmín Lopez), “Viola” (Matías Piñeiro) e “Acá Adentro” (Mateo Bendesky). Já a competição nacional reúne 15 produções, com novas obras de Raúl Perrone, Sergio Bizzio, Santiago Loza e Marco Berger, entre outros. Fora de competição, há expectativa em torno de “Los Posibles”, novo filme de Santiago Mitre, o diretor do melhor filme argentino de 2011, “El Estudiante”, que retratava a politização da sociedade a partir da história de um estudante do interior que chega para estudar na Universidade de Buenos Aires.

 

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Entre as homenagens, haverá uma retrospectiva da obra do veterano Adolfo Aristarain. Para quem não conhece, Aristarain é um dos principais nomes do cinema local, com a carreira dividida entre Argentina e Europa. É diretor do excelente “Martín (hache)” (1997), que pode ser considerado um dos fundadores do cinema contemporâneo argentino, marcado pelos dramas familiares e tramas intimistas. Outro que receberá um tributo é Pablo Trapero, que exibirá seus primeiros curtas e a película que o projetou, “Mundo Grua”.


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Estarão em Buenos Aires para o evento, além de Jaoui, o sul-coreano Hong Sang-soo e o brasileiro Julio Bressane. Segundo a mídia local “representante del cine experimental de Brasil”.

 

Quem quiser mais informações deve checar a página de programação do Bafici: www.bafici.gov.ar.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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