Sylvia Colombo

Latinidades

 -

Sylvia Colombo acompanha o crescente intercâmbio cultural entre o Brasil e o resto da América Latina. No blog, traz novidades e tenta explicar o contexto político da região.

Perfil completo

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

Um prêmio que é uma gincana

Por Sylvia Colombo

O escritor espanhol José Ovejero, 54, falou hoje com vários meios da imprensa hispano-americana, por meio de uma grande video-conferência, após receber a notícia de que era o ganhador da 16a. edição do prêmio Alfaguara. “Sempre pensei que ia ser difícil contar uma história de amor sem cair no que já foi dito ou no que é piegas, foi o que tentei fazer”, disse.

Seu romance, “La Invención del Amor”, foi o vitorioso em meio a 802 manuscritos, 57% vindos da América Latina, e 43% da Espanha. O júri final do prêmio estava composto por Manuel Rivas, Annie Morvan, José María Pozuelo Yvancos, Jordí Puntí, Xavier Velazco, Antonio Ramírez e Pilar Reyes. No ano passado, o vencedor havia sido o argentino Leopoldo Brizuela, por “Una Misma Noche”.

“La Invención del Amor” conta a história de um homem de 40 anos que recebe um dia um telefonema dando conta da morte de uma mulher, de quem não se lembra bem, mas com relação a qual começa a fantasiar. Sua vida passa a girar em torno dessa construção, enquanto se apaixona pela irmã desta.

Instalados nos escritórios das sucursais da Alfaguara pelo mundo, os jornalistas puderam fazer perguntas ao madrilenho Ovejero, que agora inicia um longo percurso de promoção de seu livro, que será lançado em 19 países, chegando a 400 milhões de pessoas.

O Prêmio Alfaguara é um dos principais de língua hispânica. Sua entrega serve um pouco de termômetro para sentir como é a luta das grandes casas editoriais por seus leitores num mundo em que as pessoas têm cada vez menos tempo para ler.

Como seus predecessores, Ovejero agora terá de viajar por mais de 10 países, participará de inúmeros festivais, dará diversas palestras, apresentará “La Invención del Amor” na América Latina, na Europa e nos EUA. Em todos esses lugares, se espera dele um pouco mais do que um autor, também se exigirá que seja um pouco um performer, alguém que entretenha. A experiência já foi traumática para outros autores. O argentino Andrés Neuman e o peruano Santiago Roncagliolo escreveram sobre o trauma dessas viagens, e lançaram “Viajar sin Ver” e “Jet Lag”, justamente sobre essa turnê. Para a editora, poder colocar o selo de “vencedor do Alfaguara 2013″ na capa dos livros é garantia de que a obra de Ovejero venderá mais.

Vão longe os tempos em que um autor se bastava por gastar seu precioso tempo lendo, estudando e burilando suas obras. Ovejero, agora, passará um ano mal tendo tempo de estar em sua casa, quanto mais com um livro no colo. Será que Borges, Cortazar ou Cervantes aguentariam um tranco como esse?

 

 

 

Blogs da Folha