Sylvia Colombo

Latinidades

 -

Sylvia Colombo acompanha o crescente intercâmbio cultural entre o Brasil e o resto da América Latina. No blog, traz novidades e tenta explicar o contexto político da região.

Perfil completo

Publicidade
Publicidade
Publicidade
Publicidade

Nestor, o filme

Por Sylvia Colombo

[youtube YV9f254u7pw&feature=em-share_video_user]

“Dia 22 de novembro, em todos os cinemas de seu país”. Não é força de expressão, a estreia do filme “Néstor Kirchner”, no final deste mês, será avassaladora. Nada menos do que 120 salas da Argentina. O número é arrasador, quando se compara com outros do cinema nacional. Só para se ter uma ideia, “Elefante Branco”, de Pablo Trapero, atualmente em cartaz no Brasil e que foi o filme argentino mais visto do ano, esteve em “apenas” 99 salas. Já “Infância Clandestina”, candidato da Argentina ao Oscar, não passou de 35.

Nos últimos dias, começaram a ser veiculados trailers da produção. O primeiro deles, convenientemente, foi ao ar pela TV Pública, durante uma transmissão do campeonato estatizado, o Futebol para Todos.

Neles, vemos Néstor discursando, heróico, sob uma trilha sonora laudatória assinada por Gustavo Santaolalla, autor das músicas dos filmes de Walter Salles, e ganhador do Oscar. As imagens mostram Néstor em vários momentos da vida, sempre saudado, às vezes brincando com a câmera. As dos anos 70 mostram o líder de cabelo solto, ar transgressor, coerente com a imagem de herói anti-ditadura que o governo tenta reforçar em seu relato do passado.

A direção do filme passou por percalços. Antes, estava a cargo do uruguaio radicado aqui Adrian Caetano (“Crónica de una Fuga”). Depois de alegar incompatibilidades com o diretor, a produção do filme o afastou. Assumiu, então, Paula de Luque, diretora da cinebiografia chapa-branca “Juan y Eva”.

A pré-estreia da produção será no próximo dia 17 de novembro, no Luna Park, principal casa de shows do país. A data não é coincidência, pois aí se comemora o dia da militância peronista.

Não há muito o que esperar do filme em termos cinematográficos. As imagens são a de uma biografia eufórica e engajada. O fato de estrear pouco antes da grande batalha do governo contra o grupo Clarín, o chamado 7D, não é coincidência. O governo espera, com o filme e esse avanço sobre o conglomerado, encerrar bem um ano cheio de revezes econômicos e políticos. Será este um filme com final feliz?

 

 

Blogs da Folha