Sylvia Colombo

Latinidades

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Sylvia Colombo acompanha o crescente intercâmbio cultural entre o Brasil e o resto da América Latina. No blog, traz novidades e tenta explicar o contexto político da região.

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Brasil em Guadalajara

Por Sylvia Colombo

A Feira do Livro de Guadalajara, maior encontro literário do mundo hispânico, tinha até hoje uma grande falha. Parecia não ser capaz de armar uma ponte com o Brasil, seja com seus autores, seja com seus editores. Na edição do ano passado, o stand esvaziado organizado pela Câmara Brasileira do Livro era desolador. Alguns títulos infantis e técnicos chamavam a atenção de poucos passantes. Mas o Brasil ficava num canto da seção dedicada a países, e tradicionalmente as editoras não levam stands próprios, como fazem Santillana, Planeta e outras grandes desse mercado.

Neste ano, os organizadores tentam preencher essa lacuna, e convidam um time variado de autores nacionais. São eles: Marçal Aquino, João Carrascoza, Bernardo Carvalho, Ronaldo Correia de Brito, João Paulo Cuenca, Ferréz, Rubem Fonseca, Daniel Galera, Milton Hatoum, Rodrigo Lacerda, Michel Laub, Adriana Lisboa, Cintia Moscovich, Lourenço Mutarelli, Paula Parisot, Luiz Ruffato, Carola Saavedra, Tatiana Salem Levy, Edney Silvestre e Cristovão Tezza. A delegação será patrocinada por uma grande parceria entre a FIL e a Fundação Biblioteca Nacional.

Os organizadores pretendem aliar a grande participação brasileira a um programa de traduções de obras em português com ajuda dos fundos para tradução impulsionados pelo governo brasileiro. Também colaboram para o intercâmbio editoras pequenas mexicanas interessadas na nossa literatura, como a Elephas, que lançará títulos Cristóvão Tezza e Luis Ruffato. O paulistano Ferréz também lança “Manual Prático do Ódio” em versão mexicana, pela editorial Sur+, depois de ter sido lançado na Argentina.

O ponto alto da programação brazuca deve ser a visita de Rubem Fonseca ao Mercado San Juan de Dios, no centro de Guadalajara, a duas quadras da zona mais perigosa da cidade, para participar de um sarau nos moldes dos saraus da Cooperifa.

“O Brasil era uma lacuna imensa numa feira cada vez mais internacional”, diz a organizadora Laura Niembro, responsável pela seleção de autores. E acrescenta: “Era um absurdo se levarmos em conta o interesse internacional renovado do país e o fato de que os mexicanos sempre adoraram os brasileiros”, complementa, dando como exemplo a lembrança carinhosa que os habitantes de Guadalajara têm da vitoriosa seleção brasileira, que passou por ali na Copa de 1970.

A Feira de Guadalajara tem um pouco de Flip e um pouco de Bienal. Ao mesmo tempo em que é um imenso shopping center de livros, sua programação artística costuma ser caprichada. É frequentada por prêmios Nobel e  Cervantes e reúne as principais casas editoriais da Espanha, Europa, Ásia e América Latina. Na edição passada, o principal destaque foi o encontro da alemã Herta Müller com o peruano Mario Vargas Llosa.

A edição deste ano, que ocorrerá em novembro, terá como país homenageado o Chile, premiado com o último Cervantes, que foi para o poeta Nicanor Parra, irmão da célebre Violeta. Também deve haver uma homenagem a Carlos Fuentes, presença regular nos últimos tempos, morto neste ano.

 

 

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