Sylvia Colombo

Latinidades

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Sylvia Colombo acompanha o crescente intercâmbio cultural entre o Brasil e o resto da América Latina. No blog, traz novidades e tenta explicar o contexto político da região.

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Amalia Fortabat

Por Sylvia Colombo

Morreu hoje em Buenos Aires um dos ícones do empresariado argentino e uma das mulheres mais ricas do país, Amalia Lacroze de Fortabat, aos 90 anos. Era, também, a mais importante colecionadora de obras da Argentina.

O Museo Colección de Arte Amalia Lacroze, belo edifício em Puerto Madero desenhado pelo uruguaio Rafael Viñoly, é um dos mais importantes da cidade e abriga sua coleção pessoal. Além de uma representativa mostra de arte argentina, que reúne mais de 200 quadros, possui ainda obras de Pieter Brueghel, Salvador Dalí, Marc Chagall, Andy Warhol e William Turner, entre outros.

Antes de criar o museu, em 2008, Amalia mantinha esses quadros em seu luxuoso apartamento da avenida Libertador, e, muito vaidosa, gostava de posar ao lado deles.

Amalia teve vida amorosa conturbada, separando-se de seu primeiro marido para casar-se com o milionário Alfredo Fortabat, 27 anos mais velho que ela. O divórcio era proibido no país e ambos concretizaram sua união no Uruguai. Quando ele morreu, aos 81, em 10 de janeiro de 1976, Amalia tinha 54 anos e se transformou na mulher mais rica da Argentina.

Teve uma relação próxima com a ditadura militar (1976-1983), período em que a Loma Negra, indústria de cimento da qual era proprietária, teve imenso crescimento. Depois, a empresa seria vendida para a brasileira Camargo Correia. Durante os anos Menem (1989-1999), Amalia teve muita visibilidade, participando de festas e cerimônias ao lado do presidente. Acabou se transformando num símbolo daquela época.

Figura não muito popular em tempos de um governo que se considera de esquerda, Amalia andava afastada das rodas sociais, e foi tendo problemas de saúde cada vez mais recorrentes nos últimos meses. Se em sua trajetória política aproximou-se de figuras nefastas, o mundo das artes lhe deve uma homenagem. O museu que leva seu nome é um passeio obrigatório do mapa cultural de Buenos Aires.

 

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